A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar uma lei municipal de Londrina (PR) que impede a participação de atletas transgênero em competições esportivas realizadas na cidade. A confederação argumenta que a norma, em vigor desde 2024, pode barrar a atuação de Tifanny Abreu, jogadora do Osasco São Cristóvão Saúde e a primeira mulher trans nas competições de vôlei no país, justamente nas semifinais da Copa Brasil de Voleibol Feminino marcadas para este fim de semana.
A controvérsia começou quando a Câmara Municipal de Londrina aprovou um requerimento com base na lei municipal nº 13.770/2024, que proíbe “a participação de atletas cujo gênero seja identificado em contrariedade ao sexo biológico de nascimento” em eventos esportivos da cidade, incluindo competições em instalações públicas ou com apoio institucional. A norma gerou debate sobre sua constitucionalidade e pode afetar diretamente a realização da partida entre Osasco e Sesc RJ Flamengo no Ginásio Moringão.
Na ação ao STF, a CBV sustenta que a proibição viola princípios constitucionais e interfere na organização de competições sob sua responsabilidade, destacando que Tifanny está regularmente inscrita e apta a jogar, conforme sua política de elegibilidade para atletas transgênero. A relatoria do processo foi distribuída à ministra Cármen Lúcia, que deve analisar o pedido de suspensão da lei municipal antes dos jogos decisivos. O clube Osasco também se posicionou em apoio à atleta, defendendo inclusão, diversidade e o direito ao exercício profissional livre de discriminação.



