Um levantamento identificou a existência de pelo menos 123 canais brasileiros no YouTube que disseminam conteúdo misógino, com cerca de 130 mil vídeos publicados e um público que ultrapassa 23 milhões de inscritos. Os dados são de pesquisa do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgada após o Dia Internacional da Mulher.
De acordo com o estudo, o fenômeno tem crescido nos últimos anos. A quantidade de inscritos nesses canais aumentou 18,5% desde abril de 2024, com mais de 3,6 milhões de novos seguidores. Apesar de algumas remoções, muitos criadores continuam ativos, inclusive mudando o nome dos canais para permanecer na plataforma e manter a produção de conteúdo com ataques e discursos de desprezo contra mulheres.
A pesquisa também indica que a misoginia tem se transformado em um nicho de monetização. Cerca de 80% dos canais analisados utilizam algum tipo de estratégia para gerar renda, como anúncios, programas de membros, venda de produtos digitais e doações. Para os pesquisadores, a disseminação desse tipo de conteúdo reforça ideologias que inferiorizam as mulheres e evidencia desafios para o combate à violência de gênero nas plataformas digitais.



