Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou a cela onde agentes da ditadura militar encenaram o falso suicídio do jornalista Vladimir Herzog, assassinado sob tortura em 1975, em São Paulo. A descoberta localiza, com base em evidências científicas, o espaço exato dentro do DOI-Codi onde foi registrada a imagem que tentou sustentar a versão oficial de suicídio.
Segundo os pesquisadores, a identificação foi possível a partir do cruzamento de documentos históricos, laudos periciais, fotografias da época e análises arquitetônicas do prédio, atualmente ocupado por uma delegacia na Rua Tutóia. Mais de 50 anos após o crime, os estudos apontaram a sala específica onde o corpo de Herzog foi pendurado, em uma encenação incompatível com um enforcamento real e marcada por sinais evidentes de tortura.
Para especialistas, a descoberta tem importância histórica e jurídica ao comprovar a materialidade da fraude construída pelo regime militar. A reconstituição do local reforça que o caso Herzog foi um assassinato de Estado e ajuda a preservar a memória das violações de direitos humanos no período, contribuindo para o esclarecimento de crimes cometidos durante a ditadura no Brasil.



