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Juros altos pressionam famílias e elevam endividamento no Brasil, aponta Novo Desenrola

O aumento da taxa básica de juros e os altos encargos cobrados pelos bancos têm ampliado o endividamento das famílias brasileiras, cenário que motivou o lançamento do Novo Desenrola pelo governo federal. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que 80% das famílias estavam endividadas em abril deste ano, maior índice da série histórica da pesquisa. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o percentual chega a 83,6%.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a combinação entre a Selic elevada e o spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados ao consumidor — tem pressionado o orçamento das famílias. Em março, o spread bancário brasileiro chegou a 34,6 pontos percentuais, enquanto a taxa média de juros para pessoas físicas superou 60% ao ano. No cartão de crédito rotativo, os juros ultrapassam 400% anuais em alguns casos.

A nova etapa do Desenrola prevê renegociação de dívidas com descontos que podem chegar a 90%, além de condições facilitadas de parcelamento para famílias de baixa e média renda. O programa também amplia o alcance para estudantes, microempresas e produtores rurais. Economistas defendem que a iniciativa pode aliviar o orçamento doméstico e estimular a economia, embora alertem que os juros elevados continuam sendo um dos principais entraves para a redução consistente da inadimplência no país.