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Estudo aponta crescimento de desinformação sobre PL da Misoginia nas redes sociais

Um levantamento do Observatório Lupa identificou o aumento da disseminação de informações falsas sobre o chamado Projeto de Lei da Misoginia nas redes sociais. Segundo o estudo, políticos e influenciadores ligados à direita impulsionaram conteúdos com teor conspiratório, vídeos editados e até materiais produzidos com inteligência artificial para atacar a proposta aprovada pelo Senado Federal em março deste ano.

O PL 896/2023 prevê incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo, estabelecendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para práticas consideradas misóginas. Caso o texto seja aprovado pela Câmara dos Deputados sem alterações, a misoginia poderá ser enquadrada como crime semelhante aos previstos na legislação antirracismo brasileira.

De acordo com a pesquisa, o principal pico de desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação do projeto no Senado. O aumento do engajamento foi impulsionado por um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira, que associava o texto aprovado a outra proposta legislativa diferente. Segundo o Observatório Lupa, a publicação alcançou centenas de milhares de visualizações antes de sofrer alterações.

Entre as narrativas falsas mais compartilhadas estavam alegações de que perguntas sobre TPM poderiam levar à prisão, que o projeto limitaria a liberdade de expressão ou que a proposta serviria para perseguir adversários políticos. O estudo aponta que conteúdos apelando ao medo e à polarização tiveram maior alcance nas plataformas digitais.

Especialistas ouvidos pela pesquisa alertam que campanhas de desinformação têm se tornado cada vez mais sofisticadas, utilizando inteligência artificial, cortes de vídeos fora de contexto e estratégias coordenadas de compartilhamento. O fenômeno acompanha um cenário mais amplo de polarização política e ataques direcionados a pautas relacionadas a gênero e direitos das mulheres.

O Observatório Lupa monitorou publicações no X, Facebook, Instagram e Threads entre os dias 24 de março e 30 de abril. Segundo o levantamento, foram identificadas centenas de milhares de postagens relacionadas ao tema apenas nesse período.