A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) obteve uma patente internacional para um método de tratamento considerado promissor contra formas resistentes da malária. O registro foi concedido pelo Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO) e envolve pesquisas desenvolvidas por cientistas do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais.
O tratamento utiliza um composto chamado DAQ, que apresentou resultados eficazes no combate a cepas resistentes do Plasmodium falciparum, parasita responsável pelas formas mais graves da doença. Segundo os pesquisadores, a substância possui uma estrutura química capaz de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo microrganismo ao longo do tempo.
A pesquisa teve participação de instituições nacionais e internacionais, como a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a University of California San Francisco (UCSF). Novos estudos seguem em andamento em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Apesar dos resultados considerados promissores, o composto ainda precisa passar por novas etapas antes de se transformar em medicamento disponível para a população. Entre os próximos passos estão testes de toxicidade, definição de doses seguras e desenvolvimento da formulação farmacêutica adequada.
A patente foi concedida em março deste ano e terá validade até 5 de setembro de 2041. Para a pesquisadora Antoniana Krettli, uma das responsáveis pelos estudos, a estrutura da Fiocruz e a atuação da instituição na Amazônia podem acelerar futuras etapas de desenvolvimento e testes clínicos do tratamento.
A malária continua sendo um dos principais desafios de saúde pública em regiões tropicais e subtropicais. De acordo com os pesquisadores, o avanço da resistência aos medicamentos atuais reforça a necessidade de desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas para evitar uma possível redução da eficácia dos tratamentos disponíveis no futuro.



