As mudanças climáticas estão afetando diretamente a produção agrícola e a segurança alimentar em comunidades quilombolas em diferentes regiões do país, atingindo cultivos tradicionais que vão do marmelo ao beiju. Em territórios como o Mesquita, em Goiás, e o Divino Espírito Santo, no Espírito Santo, agricultores relatam perdas na produção e redução da produtividade em razão de secas prolongadas, variações extremas de temperatura e impactos ambientais acumulados ao longo dos últimos anos.
Em muitas dessas comunidades, a agricultura familiar é a principal fonte de renda e também um elemento central da identidade cultural. A produção de alimentos tradicionais, como derivados da mandioca e frutas típicas, vem sendo prejudicada pela irregularidade das chuvas e pela degradação ambiental, o que tem levado parte das famílias a buscar alternativas de sustento fora do campo. Pesquisas e organizações que acompanham esses territórios alertam que os impactos climáticos se somam a outros desafios históricos, como a falta de infraestrutura e a demora na regularização fundiária.
Diante desse cenário, lideranças quilombolas e especialistas defendem políticas públicas específicas de adaptação climática e fortalecimento da agricultura tradicional, com foco na preservação dos modos de vida e no apoio à produção local. A defesa da titulação dos territórios também é apontada como fator essencial para garantir segurança jurídica e acesso a programas de apoio governamental. Para os moradores, manter a produção não é apenas uma questão econômica, mas também de preservação da memória, da cultura e da identidade dessas comunidades.



