Um estudo da organização não governamental ACT Promoção da Saúde chama atenção para o chamado blackwashing, estratégia utilizada por empresas para demonstrar compromisso com a pauta antirracista sem promover mudanças efetivas em suas estruturas e práticas. O levantamento, intitulado Blackwashing 2.0, analisa como campanhas de comunicação e marketing podem explorar a valorização da diversidade racial para fortalecer a imagem das marcas e impulsionar vendas, sem enfrentar as desigualdades raciais de forma concreta.
De acordo com os pesquisadores, o blackwashing é semelhante a outras práticas conhecidas, como o greenwashing (voltado à pauta ambiental) e o pinkwashing (relacionado à comunidade LGBTQIA+). O relatório identifica oito estratégias utilizadas pelas empresas, entre elas a divulgação seletiva de ações de diversidade, a criação de políticas com pouco impacto, campanhas publicitárias enganosas, certificações questionáveis e parcerias voltadas mais para fortalecer a reputação corporativa do que para promover transformações reais. Essas iniciativas compõem o chamado “antirracismo de aparência”, que prioriza o discurso em detrimento de mudanças estruturais.
O estudo também destaca que a baixa representatividade de pessoas negras em cargos de liderança evidencia a distância entre o discurso e a prática. Embora pretos e pardos representem a maioria da população brasileira, eles ocupam menos de 6% das vagas em conselhos de administração e menos de 14% dos cargos executivos nas maiores empresas do país, segundo dados do Instituto Ethos citados no relatório. Para os autores, combater o blackwashing exige maior transparência das organizações, adoção de políticas efetivas de inclusão e mecanismos capazes de reduzir as desigualdades raciais de forma permanente.


