Dias antes da operação da Polícia Federal que resultou no bloqueio de seus bens, o senador Jacques Wagner (PT) concluiu a venda do apartamento onde morava, no Corredor da Vitória, área nobre de Salvador. O imóvel, de 152 m², quatro suítes e vista para o mar, foi negociado por R$ 10 milhões com o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo (União Brasil). Embora o valor tenha sido integralmente pago, a transferência da propriedade foi interrompida por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com reportagem do Estadão, o pedido de registro da venda foi protocolado no Cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis de Salvador em 10 de junho. Enquanto o cartório realizava os procedimentos para a transferência, foi comunicada a decisão do STF que determinou o bloqueio dos bens do parlamentar. Com isso, a conclusão da transação também ficou suspensa.
Procurado pela reportagem, Marcelo Passos afirmou que a compra havia sido acertada ainda em dezembro de 2025 e que o pagamento foi concluído em abril deste ano, antes da operação da Polícia Federal. Segundo ele, foi apresentada uma petição ao cartório para efetivar o registro da escritura, além de uma manifestação ao ministro André Mendonça, com documentos que comprovam a negociação.
“Tenho um nome a zelar e nunca estive envolvido em nenhuma irregularidade. Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade e os documentos comprovam isso. O contrato de compra e venda data de dezembro de 2025, todos os pagamentos foram feitos diretamente na conta de Jacques Wagner até meados de abril e a escritura foi lavrada em maio. Em 10 de junho demos entrada para registro, portanto, antes da deflagração da operação. Infelizmente, acabei figurando nessa história como terceiro de boa fé”, afirmou.


