Cerca de R$ 92,4 bilhões em crédito rural público foram concedidos, entre 2019 e 2025, a imóveis rurais que apresentam algum tipo de alerta de desmatamento ou degradação da vegetação nativa. O montante corresponde a aproximadamente 15% dos R$ 613,2 bilhões liberados no período, segundo a nova edição do Monitor do Crédito Rural, plataforma desenvolvida pelo MapBiomas para acompanhar a destinação dos financiamentos agropecuários.
O levantamento identificou 831 mil operações de crédito em propriedades com sobreposição a alertas ambientais ou outras áreas sensíveis, como terras indígenas, unidades de conservação, territórios quilombolas e florestas públicas. O estudo ressalta, no entanto, que a existência de um alerta não significa, necessariamente, que houve desmatamento ilegal ou irregularidade na concessão do financiamento. Pela legislação brasileira, a supressão de vegetação pode ser autorizada em determinadas situações, desde que atendidos os requisitos legais.
De acordo com o MapBiomas, a nova versão da plataforma ampliou o monitoramento ao incorporar dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), permitindo maior rastreabilidade das operações de crédito. Em nota, Banco do Brasil e Banco do Nordeste informaram que adotam mecanismos de controle socioambiental e afirmaram que as operações seguem a legislação vigente, com monitoramento contínuo para evitar financiamentos em áreas protegidas ou com desmatamento ilegal.


