A presença de dor crônica pode estar comprometendo a eficácia do tratamento da depressão em parte dos pacientes classificados como portadores de depressão resistente aos antidepressivos. A conclusão é de um artigo publicado na revista científica Nature Mental Health, que sugere que a dor, embora seja frequente entre pessoas com depressão, ainda não é avaliada de forma sistemática nos principais critérios utilizados para diagnosticar resistência ao tratamento.
Segundo os pesquisadores, a intensidade e o impacto da dor não fazem parte das escalas mais utilizadas na prática clínica, como o PHQ-9 e a Escala de Hamilton. Com isso, pacientes que convivem com dor crônica podem ser classificados como resistentes aos medicamentos quando, na verdade, a dor não tratada está contribuindo para a persistência dos sintomas depressivos. Os autores ressaltam que o estudo não recomenda interromper ou modificar a medicação, mas defende uma avaliação mais ampla desses pacientes.
Para os especialistas, incorporar a medição da dor na rotina dos serviços de saúde, incluindo a atenção primária e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), pode ajudar a identificar casos em que o tratamento da dor também seja necessário para melhorar a resposta à terapia contra a depressão. A proposta é tornar o cuidado mais integrado, considerando simultaneamente os aspectos físicos e emocionais que influenciam a saúde mental.


