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Documentário resgata drama de família marcada pela tragédia do césio-137 em Goiânia

O curta-metragem “Lourdes e Leide”, dirigido por Angelo Lima, revisita a história de uma das famílias mais atingidas pelo acidente com o césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987. Exibido no Festival Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul, o documentário acompanha a rotina de dona Lourdes e relembra a trajetória de sua filha, Leide das Neves, que morreu aos seis anos após ser contaminada pelo material radioativo. A produção busca preservar a memória da tragédia e alertar sobre as consequências humanas do maior acidente radiológico da história do Brasil.

O filme mostra como o césio-137 chegou à casa da família depois que uma cápsula de radioterapia retirada de uma clínica abandonada foi vendida para um ferro-velho. Sem conhecer os riscos da substância, familiares e vizinhos manusearam o material, que emitia um brilho azul intenso, provocando a contaminação de dezenas de pessoas. Leide ingeriu partículas do césio e morreu poucos dias depois, tornando-se um dos símbolos da tragédia.

Além de reconstituir os fatos, o documentário evidencia que os impactos do acidente persistem quase quatro décadas depois. Durante a produção do filme, dona Lourdes enfrentou mais uma perda familiar com a morte de outro filho, Lucimar, também afetado pelas consequências do episódio. Para o diretor Angelo Lima, a obra reforça a necessidade de manter viva a memória do acidente e de cobrar políticas de reparação e apoio às vítimas e seus familiares.