A Petrobras anunciou um reajuste médio de 13,9% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, com os novos valores já em vigor desde esta terça-feira (1º). Com essa elevação, o combustível destinado a aviões e helicópteros acumula uma expressiva alta de 53,3% ao longo de 2026, o que representa um acréscimo de R$ 1,94 por litro em relação ao patamar de dezembro do ano passado. De acordo com a estatal, o aumento reflete a alta das cotações internacionais do produto impulsionada pela guerra e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente a instabilidade na região do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o escoamento global de petróleo.
O encarecimento da commodity liga um sinal de alerta no setor aéreo, uma vez que o QAV responde, em média, por cerca de 30% das despesas operacionais das companhias que operam no Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O percentual exato do reajuste varia de acordo com a região de distribuição, registrando sua menor alta em Canoas (RS), com 13,51%, e a maior na base de São Luís (MA), chegando a 14,34%. Embora o país seja um grande produtor de petróleo e a Petrobras detenha cerca de 85% da produção nacional do QAV, os preços seguem a lógica do mercado externo por se tratarem de commodities negociadas globalmente.
Para tentar mitigar o choque financeiro imediato nos caixas das companhias aéreas, a Petrobras informou a retomada, neste mês de setembro, de um programa de parcelamento da alta. A iniciativa permite que as distribuidoras parcelem o percentual do reajuste em até três vezes, reduzindo o impacto de curto prazo no setor. Paralelamente, a estatal buscou tranquilizar o mercado ao assegurar que o abastecimento logístico está garantido e que todos os volumes de querosene solicitados pelos clientes para este mês estão confirmados.


