Um estudo científico elaborado a partir de dados inéditos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) revelou que o derretimento das geleiras nas regiões polares está ocorrendo em ritmo acelerado, com impacto direto no aumento do nível do mar e no clima global, segundo pesquisadores. A pesquisa, denominada Planeta em Degelo, indica que desde **1976 já foram perdidos cerca de 9.179 gigatoneladas de gelo, equivalentes a um volume de água similar ao que o Rio Amazonas despeja no Oceano Atlântico em 470 dias. A maior parte desse gelo derreteu na Antártica e na Groenlândia, representando um alerta para cidades costeiras em todo o mundo.
O biólogo Ronaldo Christofoletti, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e integrante do projeto de comunicação do Proantar, destacou que fenômenos como chuva extrema, calor excessivo e queimadas mais frequentes estão interligados e são sintomas do aquecimento global, contribuindo também para o degelo acelerado. Essa interconexão — entre mudanças climáticas e derretimento das calotas — tem relação com os records de temperatura registrados nos últimos anos, incluindo 2023, 2024 e 2025 como alguns dos mais quentes da história recente.
O estudo alerta que o aumento do nível dos mares decorrente do derretimento das calotas pode reduzir áreas terrestres e intensificar a erosão costeira, exigindo que municípios litorâneos adotem estratégias de adaptação e planejamento urbano. Além disso, o ingresso de grandes volumes de água doce nos oceanos pode alterar a salinidade e enfraquecer correntes marítimas importantes para a circulação global de calor, com potencial de afetar padrões climáticos em várias regiões, inclusive no Atlântico Sul, influenciando regimes de chuva e eventos extremos.



