A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução histórica que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade e desafia países a avançarem em medidas de reparação. O texto, apresentado por Gana, foi aprovado com ampla maioria — 123 votos favoráveis, três contrários e 52 abstenções — e reforça a necessidade de enfrentar as consequências duradouras da escravidão.
A resolução destaca que as reparações são um passo concreto para corrigir injustiças históricas e propõe ações como pedidos formais de desculpas, compensações financeiras, reformas institucionais e a devolução de bens culturais retirados dos países africanos ao longo dos séculos. Embora não tenha caráter juridicamente vinculante, a medida tem forte peso político e simboliza o reconhecimento global dos impactos do sistema escravocrata sobre populações africanas e afrodescendentes.
O documento também reacende o debate internacional sobre responsabilidade histórica, já que países ocidentais manifestaram resistência a partes do texto, especialmente em relação à possibilidade de reparações retroativas. Ainda assim, a ONU defende que enfrentar o legado da escravidão é essencial para promover justiça, igualdade racial e desenvolvimento, destacando que milhões de africanos foram sequestrados e explorados ao longo de cerca de 400 anos, com efeitos que persistem até hoje.



