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Documentário expõe violações militares em favelas durante megaeventos esportivos no Brasil

O documentário Cheiro de Diesel, dirigido pelas jornalistas Natasha Neri e Gizele Martins, estreou nesta semana trazendo à tona denúncias de violações de direitos humanos cometidas por militares durante megaeventos esportivos no Brasil. A produção revisita operações realizadas no Rio de Janeiro entre 2014 e 2018, período que incluiu a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, destacando o impacto dessas ações nas comunidades periféricas.

O filme foca especialmente na atuação das chamadas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o uso das Forças Armadas em áreas urbanas sob o argumento de reforçar a segurança pública. Um dos principais exemplos retratados é a ocupação do Complexo da Maré, que mobilizou cerca de 2,5 mil militares e durou mais de um ano, acumulando denúncias de invasões domiciliares, torturas, assassinatos e outras irregularidades relatadas por moradores.

A narrativa é construída a partir de depoimentos de vítimas e registros coletados ao longo de anos, evidenciando casos emblemáticos de violência e questionando a eficácia e a legalidade dessas operações. Para as diretoras, o documentário busca revelar como ações justificadas pela segurança de grandes eventos resultaram em graves violações de direitos, além de levantar críticas ao papel da Justiça Militar na investigação desses crimes.