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Mulheres negras do Norte e Nordeste são as mais afetadas pela fome, aponta estudo

Lares chefiados por mulheres negras nas regiões Norte e Nordeste do Brasil concentram os maiores índices de insegurança alimentar grave no país, segundo o estudo “As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023)”, elaborado pelas pesquisadoras Veruska Prado e Rute Costa e promovido pela organização Fian Brasil. O levantamento aponta que 38,5% dos domicílios liderados por mulheres negras enfrentam algum grau severo de insegurança alimentar, percentual superior ao registrado entre homens negros, mulheres brancas e homens brancos.

Nas regiões Norte e Nordeste, a situação é ainda mais crítica. De acordo com o estudo, quase metade dos lares chefiados por mulheres negras convivem com algum nível de insegurança alimentar: 46,3% no Norte e 45,7% no Nordeste. As autoras destacam que fatores estruturais, como desigualdade de renda, racismo e dificuldades de acesso ao mercado formal de trabalho, ampliam a vulnerabilidade desse grupo social.

A pesquisa também mostra que, mesmo quando inseridas no mercado formal de trabalho, mulheres negras seguem enfrentando índices de fome semelhantes aos observados em lares chefiados por homens brancos em situação de informalidade. Para as pesquisadoras, o cenário evidencia que o combate à fome no Brasil passa pela adoção de políticas públicas que considerem desigualdades raciais, sociais e regionais, especialmente nas áreas rurais e periferias urbanas do Norte e Nordeste.