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“Nossos filhos pagaram por guerra que não era deles”, diz Mãe de Maio ao relembrar chacinas em SP

Vinte anos após os chamados Crimes de Maio, em São Paulo, a ativista Débora Maria da Silva, fundadora do movimento Mães de Maio, relembrou a morte do filho Edson Rogério Silva dos Santos e criticou a violência policial no país. “Nossos filhos pagaram por uma guerra que não era deles”, afirmou em entrevista à Agência Brasil, ao recordar os episódios de violência ocorridos em maio de 2006.

Edson Rogério tinha 29 anos e trabalhava como gari na Baixada Santista quando foi morto durante a onda de ataques e represálias que marcaram o período. Os Crimes de Maio ocorreram após confrontos entre facções criminosas e forças de segurança pública, deixando centenas de mortos em diferentes regiões paulistas. Segundo movimentos sociais e pesquisadores, muitas das vítimas não tinham envolvimento com o crime organizado.

Após a morte do filho, Débora passou a reunir mães e familiares de vítimas da violência de Estado, criando o movimento Mães de Maio, que se tornou referência nacional na luta por memória, justiça e direitos humanos. O grupo denuncia execuções extrajudiciais e cobra responsabilização de agentes públicos envolvidos em mortes ocorridas durante operações policiais.

Em entrevista, Débora afirmou que a dor das mães permanece mesmo após duas décadas. Segundo ela, muitas famílias ainda convivem com a ausência de respostas do Estado e com a impunidade dos casos. “A ferida continua aberta”, disse a ativista ao lembrar que os familiares seguem reivindicando investigações e reparação.

Os Crimes de Maio de 2006 são considerados um dos episódios mais violentos da história recente de São Paulo. Dados levantados por entidades de direitos humanos apontam que mais de 500 pessoas morreram durante os confrontos e ações policiais registrados naquele período. Especialistas classificam o episódio como um marco da violência urbana e da atuação letal das forças de segurança no Brasil.