A professora e historiadora baiana Vera Lacerda relembrou a criação do bloco afro Ara Ketu como uma resposta às desigualdades sociais vividas no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Fundado em março de 1980, no bairro de Periperi, o bloco nasceu com o propósito de promover inclusão por meio da cultura, da música e da educação, indo muito além da participação no Carnaval. As declarações foram feitas durante o Festival Latinidades, em Brasília.
Idealizado por Vera Lacerda ao lado do primo Augusto César, o Ara Ketu homenageia a cidade de Ketu, no Benim, região de onde partiram milhares de africanos escravizados para o Brasil. Segundo a professora, o projeto surgiu do desejo de oferecer oportunidades aos jovens da periferia e afastá-los da violência e da criminalidade. Ao longo de mais de quatro décadas, o instituto ligado ao bloco já formou mais de 3 mil pessoas em cursos profissionalizantes e atividades ligadas à música e à cultura afro-brasileira.
Durante o evento, Vera destacou que o maior reconhecimento pelo trabalho desenvolvido não são os prêmios recebidos, mas os relatos de ex-alunos que conseguiram transformar suas vidas após passarem pelo instituto. O debate também reuniu representantes de outros projetos culturais, como o bloco Didá, reforçando o papel da arte como ferramenta de resistência, fortalecimento da identidade negra e transformação social nas periferias brasileiras.


