Apesar de a maioria dos brasileiros defender o diálogo como a melhor forma de educar crianças, a violência física e verbal ainda faz parte da realidade de muitas famílias. É o que revela uma pesquisa realizada pela Quaest, a pedido do Instituto Infinis, que mostra a persistência de práticas agressivas na educação infantil, mesmo diante da ampla conscientização sobre métodos não violentos.
Segundo o levantamento, 90% dos entrevistados afirmam que o diálogo é a melhor estratégia para corrigir o comportamento das crianças. No entanto, 62% admitiram já ter gritado com uma criança, 49% disseram ter dado tapas e 27% confessaram ter usado objetos para agredi-las. A pesquisa também chama atenção para o elevado número de violações de direitos registrados no país: somente entre janeiro e abril de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania contabilizou 115.814 denúncias envolvendo crianças e adolescentes.
Para os responsáveis pelo estudo, os dados evidenciam a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à proteção da infância e de ampliar ações de orientação às famílias sobre práticas educativas sem violência. A diretora executiva do Instituto Infinis, Márcia Kalvon, destaca que romper o ciclo intergeracional da violência é essencial para garantir um desenvolvimento saudável às crianças e construir uma sociedade menos violenta no futuro.


