O governo dos Estados Unidos firmou um acordo polêmico que transfere o controle de 21% das reservas de petróleo da Venezuela para uma empresa diretamente ligada ao Pentágono, pelos próximos cem anos. A companhia, denominada Nabep, terá seu conselho de administração majoritariamente composto por cidadãos norte-americanos. Em um reflexo direto do poderio geopolítico envolvido, todo o contrato do acordo segue a legislação estadunidense e estará sob a jurisdição exclusiva dos tribunais daquele país.
A parceria tem como promessa central promover a recuperação da sucateada infraestrutura energética venezuelana por meio de injeção massiva de capital. A estimativa oficial é de que sejam aplicados US$ 100 bilhões em investimentos estruturais, gerando cerca de US$ 209 bilhões em arrecadação de impostos ao longo dos próximos 25 anos. O objetivo da empresa é escalar fortemente a extração local, com a meta de acrescentar 1,5 milhão de barris de petróleo à produção diária.
Apesar da recente oficialização de longo prazo, a atuação da Nabep em solo venezuelano já ostenta números robustos. Segundo dados da própria corporação, em um intervalo de apenas dois anos de operação, ela já alcançou o posto de segunda maior produtora de petróleo na Venezuela. Analistas apontam que a negociação abre um forte precedente na América do Sul, podendo influenciar o modo como potências estrangeiras avançarão sobre outros recursos minerais e energéticos críticos na região nos próximos anos.


