A poucos dias das Eleições 2026, a Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres divulgou um documento com dez propostas centrais para promover a proteção, a igualdade de direitos e o protagonismo feminino nos espaços de poder no Brasil. A carta serve como um guia de compromissos para candidatos, candidatas e partidos políticos de todo o país.
O objetivo do documento é sair do campo das promessas genéricas. Segundo Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, o país já tem discursos positivos o suficiente; agora, o foco deve ser em ações práticas.
“O que esperamos é compromisso que caiba em três critérios: sua sugestão tem meta? Tem orçamento? Tem prazo? Um compromisso que não responde a essas três perguntas não muda a vida de nenhuma mulher”, alertou a representante.
As 10 propostas da ONU Mulheres:
A cartilha da organização divide suas cobranças em áreas fundamentais, que vão desde a ocupação de espaços políticos até a economia do cuidado e as políticas climáticas. Confira as sugestões:
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Paridade como meta: Estabelecer prazos e metas numéricas para alcançar a igualdade de gênero e diversidade em cargos eletivos, de nomeação e nas lideranças legislativas e partidárias.
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Cotas eleitorais: Assegurar o cumprimento das cotas financeiras e de tempo de rádio e TV, garantindo que os recursos cheguem efetivamente às candidatas.
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Violência política (Lei 14.192/2021): Fazer com que a legislação que combate a violência política contra a mulher funcione na prática e nos ambientes digitais.
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Prevenção da violência: Destinar orçamentos próprios e metas para evitar a violência (com educação igualitária) e fortalecer redes de serviços especializados, medidas protetivas e investigações rápidas quando ela ocorre.
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Enfrentamento ao machismo: Tratar o machismo como um problema de Estado, criando políticas permanentes para desconstruir estereótipos, com o envolvimento ativo de homens e meninos.
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Economia do cuidado: Garantir formação, contratos formais, proteção social e salários dignos às trabalhadoras do cuidado (como babás, cuidadoras de idosos e empregadas domésticas).
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Equidade salarial: Assegurar salário igual para trabalho de igual valor, além de ampliar as vagas formais de trabalho para mulheres.
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Financiamento climático: Garantir que os recursos destinados ao meio ambiente cheguem a quem atua diretamente na proteção dos territórios.
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Governança climática: Inserir de forma paritária as mulheres — em especial indígenas, negras, quilombolas e de comunidades tradicionais — nos espaços de decisão sobre políticas climáticas.
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Recorte de gênero e raça: Estabelecer gênero e raça como critérios obrigatórios na formulação de qualquer política ambiental, questionando sempre quem a política alcança e quem ela exclui.
As medidas visam combater cenários críticos no país, como o aumento expressivo de denúncias de violência política durante o período eleitoral e as barreiras históricas que dificultam a ascensão feminina em todas as esferas da sociedade.


