O Ministério Público da Bahia (MPBA) instaurou uma força-tarefa especial para apurar os crimes de xenofobia registrados logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições. O início dos trabalhos de coleta, preservação e análise de provas foi detalhado na quarta-feira (7) durante uma entrevista coletiva na sede do órgão, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A mobilização inédita reúne diversas áreas estratégicas e especializadas da instituição com o objetivo central de identificar os autores das ofensas e garantir o suporte técnico às promotorias para a punição dos responsáveis.
A urgência da operação concentra-se no ambiente digital, onde os ataques contra a população nordestina se multiplicaram rapidamente. Segundo o promotor de Justiça Adalto Araújo, coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça Criminais (Caocrim), o foco imediato é a garantia e preservação das evidências antes que os conteúdos criminosos sejam alterados ou apagados das redes sociais. Com o apoio direto do Núcleo de Combate aos Ilícitos Cibernéticos (Nucciber), a equipe tem utilizado técnicas de investigação digital para notificar plataformas, mapear a origem das postagens e individualizar as infrações penais.
Além do rigor investigativo, o MPBA fez questão de reforçar o seu repúdio institucional ao discurso de ódio e à discriminação. O coordenador de Direitos Humanos do órgão, promotor Rogério Queiroz, alertou que as divergências políticas inerentes ao processo eleitoral não podem, sob nenhuma hipótese, servir de escudo para a prática de crimes. Ao traçar uma linha clara entre a liberdade de expressão e a atividade criminosa, a força-tarefa reitera que o debate democrático exige respeito às diferenças e garante que os agressores responderão judicialmente por suas declarações.


