BrasilEleições 2026

Representação de parlamentares negros no Congresso segue baixa após eleições, aponta pesquisadora

A Câmara dos Deputados registrou uma nova retração na sua diversidade racial após o resultado das urnas, com a bancada de parlamentares autodeclarados pretos e pardos caindo de 139 para 135 assentos. O dado reforça a persistente sub-representação da população negra no Poder Legislativo do país. Segundo levantamentos sobre o pleito recém-concluído, o quadro atual é marcado por uma forte dependência de quadros já estabelecidos na política, visto que, dos 135 deputados eleitos neste grupo demográfico, 77 já exerciam o cargo e apenas garantiram a renovação de seus mandatos.

Para a cientista política Evelyn Apolinária, o retrocesso evidencia que as barreiras estruturais para essas candidaturas continuam intactas. A pesquisadora destaca que o acesso ao financiamento de campanha e o apoio das lideranças partidárias seguem profundamente desiguais, dificultando o sucesso de novos nomes. “As regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos, não bastaram para reduzir essa distância”, apontou a especialista, ressaltando que as medidas afirmativas recentes adotadas pela Justiça Eleitoral ainda não foram capazes de garantir uma disputa plenamente justa e equitativa.

O cenário de exclusão se repetiu de forma ainda mais drástica no Senado Federal, onde, das 12 mulheres eleitas no pleito, nenhuma é negra — importantes lideranças históricas que disputavam a vaga acabaram não se elegendo. A pesquisadora alerta que esse encolhimento no Congresso Nacional como um todo pode impactar diretamente o avanço de políticas públicas. Embora não signifique uma paralisação total da pauta antirracista, a nova composição sinaliza um ambiente de maior embate, elevando o risco de que os projetos de igualdade racial percam prioridade nas comissões e nas votações em plenário.